quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Vida Plena



- ...eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente - 
João 10.10


O Vida Plena vem surgindo ao longo do tempo, desde 2012, como um projeto envolvido num grande desejo de fazer algo pelo bairro Pestano em Pelotas/RS. Esse algo tem crescido no nosso entendimento como forma responsável de atuação da Igreja no seu compromisso de levar o amor de Deus (na prática) ao próximo. Durante esse período a proposta do Vida Plena tem se transformado de acordo com as inúmeras experiências já vivenciadas no contexto do bairro.

A realidade do Pestano não difere muito daquelas características muito comuns em contextos de marginalização social e econômica no Brasil (pobreza, criminalidade, injustiças, drogadição, etc). No contato com as necessidades da comunidade, no envolvimento com vidas e realidades específicas surge então uma questão fundamental para aquilo que hoje direciona a visão do Vida Plena: Na medida em que nos aproximamos da carência do outro, encontramos também a nossa própria carência e, no entanto, nesse movimento de aproximação reside o crescimento de ambos. Ou seja, quando chegamos perto das necessidades de nosso próximo para amá-lo de maneira concreta, nos damos conta de que aí, justamente nesse tipo de relação de amor e doação, é que é suprida também uma necessidade em nós mesmos - a necessidade de sermos plenamente humanos, como Jesus cristo, e estender essa possibilidade de humanidade também a outros. Esse é o compromisso derradeiro da Igreja que tem no exemplo de seu Cristo (aquele que viveu substancialmente em função dos outros, para a salvação dos outros), a sua autoridade ética maior (única).

Hoje o sonho assume uma forma mais clara e vem sendo estruturado em vistas de adquirir a qualidade de verdadeiro veículo e promotor dos valores do Evangelho na Igreja e no Bairro. Eis que surge o PROGRAMA Vida Plena, que tem por objetivo construir um conjunto de projetos sócio-educativos para o desenvolvimento integral das pessoas, estimulando processos de conscientização e transformação do ser humano e sua realidade.


sexta-feira, 11 de julho de 2014

A rua dos buracos (poema quatro)

IV

Há jovens nas esquinas
acendendo a ponta da vida
com fogo perigoso
embriagando tantos passos
tantos começos
num devir incauto e duvidoso.

Há jovens nas esquinas
jogando na cara da vida
o seu desejo ainda maior de viver
Grito solto! Exposto!
Jogado ao vento, gemidos...
em gestos loucos de dizer.

Há jovens nas esquinas
tragando o ar rarefeito
enchendo o peito de vida loka
viciando cada medida e fragmento
de uma história clichê...
muleque revés porra loca.

Mas haverá tanta vida assim
dando-se à imagem de juventude
por essas esquinas esquecidas?
Vai ver se está lá na esquina
talvez algumas respostas
Talvez mais perguntas perdidas


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Poesia: Thiago de Mattos

O lugar da fé

"Jesus admirou-se e disse aos que o seguiam: 
'Digo-lhes a verdade: Não encontrei em Israel 
ninguém com tamanha fé."  (Mateus 8. 10)


Jesus era sujeito caminhante, sempre a rumo, encontrando gente de tudo que era tipo. Com uma disposição de vida totalmente aberta para os outros, abria-se também para o surpreendente na vida das pessoas. Permitia que as pessoas o atingissem, seja como for, para o mal e para o bem. Não se eximiu de absorver toda a realidade humana naquilo em que ela se mostra, ou aberta, ou fechada para a fé. Algumas vezes ele se espantou com a fé das pessoas como no caso do centurião romano. Outras ele questiona, até em tom de indignação, sobre a falta de fé de seus irmãos israelitas: 'ó geração incrédula'; 'homens de pequena fé!'; onde está a fé de vocês?'. 

'Onde está a fé de vocês?'

Será essa também uma pergunta oportuna para nós, evangélicos protestantes, tão identificados com o primado da fé sobre todas as coisas?
Ou será que nos importuna muito sermos questionados a esse respeito, mesmo que quem o diga seja o próprio Senhor da fé?
Ora! Diremos então em tom uníssono e voz indivisa: Aqui está Senhor! Não vês os nossos credos e confissões? Aqui está a nossa fé irretocavelmente preservada como artigo, como tradição.

Quando Jesus remete essa sua pergunta aos homens, nunca deixa de fazê-lo na perspectiva da realização concreta da fé. É a respeito da fé que põe um pai em movimento, que faz uma mulher tocar nas suas vestes, que cura um cego, que expulsa um demônio, que faz andar sobre as águas, que faz doar-se para o outro... Desta fé ele está falando. Aquela que se concretiza. A isso também se assemelha o modo como Lutero encarou a fé. Como algo que, através de, se vive concretamente nas boas obras (obras da fé). A fé implica inevitavelmente num viver concreto.

Vejamos a respeito da fé então, e do lugar existencial que ela ocupa. 
Como pessoas sedentas por domínio e poder (eis o nosso pecado) costumamos nos referir a todas as coisas como se fossem bens utilitários de nossa vontade. Isso acontece inclusive em relação a Cristo. Deus não é uno nem trino na compreensão humana se formos analisar a realidade psicológica daqueles (pessoas ou grupos) que se dizem confessar o seu nome. Ele é multi, pois para cada um (pessoa ou grupo) há um personal jesus correspondente do qual se toma posse, muitas vezes através da apropriação intelectual (quando a expressão de fé é mais racional). Outras vezes pela apropriação afetiva, mística, etc. dependendo do contexto cultural específico. Mas independente das relatividades culturais, a questão é que na nossa mão (ou aquilo que pensamos estar ali para possuirmos), tudo se torna um objeto. Nessa dinâmica acabamos desnaturalizando muitas 'coisas' que, na realidade, são sujeitos e não objetos. Exemplos: Fazemos isso com as pessoas, conosco mesmo, com Deus e, permitam-me dizer aqui, também com a fé e a verdade que admitimos vir de Deus. Digo isto porque não entendo a fé ou a verdade cristã como uma entidade abstrata e impessoal como nas filosofias, mas como algo(guém) pessoal. Cristo é o conteúdo da fé e a verdade divina. Ele é a verdade encarnada, pessoalizada. 

Precisamos parar de tratar a fé ou a verdade como 'coisas', ou objetos de nossos esforços enquanto 'conquistadores' (da verdade) e 'defensores' (da fé). Precisamos, isto sim, nos enxergarmos como possuídos por esta fé e por essa verdade. São elas que conquistam e defendem as nossas vidas. Isso nada mais é do que estar nas mãos de Cristo. De acordo com Lutero, é a boa obra de Deus em nossas vidas (a obra da fé). 

Portanto, quando Jesus pergunta: onde está a fé de vocês? Acredito muito pouco que ele esteja se referindo a um objeto que podemos transportá-lo de um lugar para outro, de acordo com os níveis de nossa capacidade, nos ambientes abstratos de nossa mente. Ele não está falando de um pacote mental, verbalizado, organizado em artigos e parágrafos que encontra sua realização funcional na boca de quem o confessa. Quando ele faz essa pergunta - 'onde está a fé de vocês?', penso eu, ele está querendo dizer o seguinte: Onde está, na vida de vocês, a manifestação existencial concreta daquilo que eu sou, o poder para viver segundo eu vivi, o amor encarnado revelado em mim? 

A fé como representação escrita plena, penso ser somente aquela da qual o apóstolo Paulo fala como sendo escrita em tábuas de carne do coração - o conteúdo da fé como carta humana.
Carne, eis aí o lugar da fé. 


(continua...)

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Texto: Thiago de Mattos

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Crer é (também) agir

"Nem todo aquele que me diz 'Senhor, Senhor', 
entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele 
que faz a vontade de meu Pai que está nos céus" Mt 7. 21


Talvez ainda seja necessário discorrer um pouco mais sobre aquilo que chamamos anteriormente de "confessionalidade verbal da fé" e das hipóteses até aqui mencionadas acerca das ênfases dadas a este tipo de expressão da fé. A tradição cristã é profundamente reflexiva e discursiva. A fé regularmente foi experimentada (exaustivamente) como objeto da reflexão e do discurso. O habitus cristão foi sendo construído nesse movimento em torno das ideias a respeito do conteúdo da fé (Teologia). E esse movimento se refere, ao que me parece muitas vezes, se tratar apenas da articulação verbal para a apreensão pessoal ou comunitária dos conteúdos da fé (confissão) e para o discurso em relação a eles (pregação). Nesse sentido se torna um movimento cíclico retroalimentativo que parece satisfazer a fundamentalidade da fé aí pretendida, ou seja, como objeto articulado em relação à fala (apreendido e comunicado). Tanto que ainda hoje medimos a qualidade de vida de nossas igrejas locais pelo número de pessoas que frequentam nossos cultos (ambiente da fé verbalizada) e não pelo número de cristãos envolvidos na sociedade em práticas de serviço e amor ao próximo - mesmo que a pregação cristã tenha um caráter significativamente prático.

A teologia reformada gosta muito de dizer que crer é também pensar, talvez em resposta a um mundo que mede as coisas pela razão (embora também se enxergue os sinais de que este mundo esteja passando). Mas o que pelo menos fica evidente em Cristo é que importa muito menos falar, pensar ou mesmo confessar a fé verbalmente do que vivê-la na prática. Jesus não fez teologia. Nós fizemos. Em categorias de fundamentalidade nada está para Cristo que não parta dele mesmo, ou seja, teologia não é fundamental - pode ser importante de várias maneiras, mas não fundamental!. Daí creio que a fundamentalidade da fé está mais para a sua ação prática-encarnada do que sua confessionalidade verbal. Para exemplificar tem-se inclusive palavras do próprio Mestre (Mt 7. 21).

Teologia é produção humana em relação ao conteúdo da revelação divina, e como tal pode pender seus resultados de ação no mundo para um lado que não seja necessariamente da vontade de Deus. Nesse sentido ela pode inclusive assumir categorias ideológicas semelhantes às vinculadas às filosofias deste mundo, que assumem internamente um caráter de dominação em relação a verdade e arrogam para si a cosmovisão mais coerente da realidade. As teologias podem sucumbir ao mesmo tipo de pretensão ao buscar uma verdade objetiva, abstraída e sistematizada, e, com mais gravidade do que em qualquer outro conjunto de ideias que visa construir-formar (ou re-formar) uma visão de mundo, pois o faz em nome de Deus. Aqui temos o terreno preparado para os sectarismos e os proselitismos cristãos - e porque não também a origem de todos os denominacionalismos?. Temos a fé instrumentalizada enquanto lente de interpretação-julgamento-sistematização da realidade. E o perigo de toda sistematização é se fechar e pecar contra a pluralidade e diversidade da vida, que nunca se enquadrará no domínio limitado da articulação verbal. A teologia, portanto, pode ser tão pretensiosa quanto a filosofia (e igualmente limitada).

O problema todo, ao que parece, está na maneira como nos relacionamos com a verdade. Diferentemente das filosofias, o cristão crê numa verdade-pessoa (Cristo) que pode ser conhecida de maneira experiencial (e não verbalmente abstrata - como se fosse de ouvir falar apenas), e a experiência com Cristo se dá na vida dos outros (Mt 18. 5; 25. 40). 

De forma bastante simples basta pensar que o evangelho não veio para ser instrumentalizado para a visão, e sim, enquanto veículo de comunicação e interação humana. É uma mensagem na qual está, de acordo com a multiforme graça de Deus, a potência para a instrumentalização da fala-ação (ou seja, não somente verbal) e não da visão. A mensagem é simples, não precisa de muita articulação codificada. Cristo é o Evangelho diz a boa teologia, e Cristo veio não para compartimentar a realidade em estruturas teóricas para a satisfação da mente, mas para amar e se envolver com ela na prática até as últimas consequências, "não para julgar o mundo, mas para salvá-lo" Jo 12. 47. 

(continua...)


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Texto: Thiago de Mattos

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A confessionalidade verbal da fé

Nós evangélicos protestantes tratamos com muita seriedade o valor da confissão de fé. Isso faz bastante sentido já que nossa igreja nasceu sobre um chão marcado pelos debates teológicos, concílios e formulações de confissões de fé. Olhando para mais longe, para a igreja antiga (os pais da igreja), vemos que essa preocupação com a articulação correta da fé não foi apenas privilégio dos reformadores. E olhando para mais longe ainda, podemos ver também este tipo de atitude até nos escritos dos apóstolos. Tudo isso reforça a nossa identidade construída historicamente como um povo que confessa o conteúdo de sua fé sistematicamente. A isso demos o nome de ortodoxia. 

Agora vem a pergunta: Nós como protestantes não temos reproduzido este movimento todo em torno de nossa confissão de tal forma a negligenciarmos, em certa medida, o último ato deste mesmo movimento? De tal maneira que ele nunca chegue livremente ao seu objetivo, digo, às obras? Por que afinal de contas a fé sem obras é morta, diz a Bíblia, a despeito do nariz torto de Lutero para a carta de Tiago do Novo Testamento. Será que toda essa nossa articulação confessada não se tornou, historicamente, um movimento circular fechado em torno da fala, ao invés de ser um movimento espiralar que se expande, e na medida que cresce se transmuta da fala para ações práticas (da palavra para a carne)?

Essa ênfase na confissão verbalizada, articulada em artigos, pronunciada nos credos, não seria por assim dizer, um provocar-fazer reducionista da experiência da fé, e, por implicação, uma atitude de não integralidade em relação ao evangelho que ela proclama? Pois é verdade também que as boas obras da igreja (instituição) ao longo dos séculos talvez não fazem frente a todas as suas barbaridades. Somam-se, por exemplo, ao conteúdo herdado de nossa historicidade, inúmeras disputas ideológicas e políticas que, levadas a cabo, não tinham nada a ver com o objetivo final da fé, que são as boas obras. Pela dita confissão de fé vigente (seja apostólica romana ou reformada) praticou-se, como missão cristã, assassinatos, perseguições e violações de todas as leis que hoje nomeamos de humanitárias.

É claro que hoje não matamos mais ninguém em função da nossa fé-artigo (pelo menos não fisicamente). Mas continuamos enfatizando aquilo que os apóstolos, pais da igreja e reformadores fizeram questão de relacionar a fé: sua representação enquanto artigo teológico. E fazemos isso sem talvez irmos para um ponto mais originário ainda - a propósito o ponto primeiro... aliás, primeiro e último: Jesus Cristo. Porque se ater demasiadamente ao que se ramificou dele, sem se perguntar que o que mais interessava a ele era simplesmente amar concretamente as pessoas e salvá-las através deste amor? Para Jesus o importante era a articulação da práxis. Ele não perdeu tempo articulando o evangelho com outra coisa senão com a sua representatividade concreta e real na vida das pessoas. 

Não estamos questionando aqui o valor histórico das confissões e credos, muito embora se pense que a tradição possa (e deva) nesse sentido, ser questionada, ainda mais se estiver em jogo a vivência da fé com mais sentido histórico para o hoje.

Entrementes, continua sendo mais importante para o protestante a ortodoxia do que a ortopraxia - pois a verdade do cristão repousa ortodoxamente e não ortopraxiamente - e, ao meu ver, aí reside um tema central da dificuldade de compreender e expandir o horizonte da reflexão e da prática acerca de missão integral.

(continua na próxima postagem sob novo título)

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Texto: Thiago de Mattos

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Missão Integral

- E disse-lhes: Ide por todo o mundo, 
e pregai o evangelho a toda criatura -
Marcos 16. 15


Ao longo dos tempos os cristãos têm enxergado aquela famosa frase dos evangelhos sob lentes diversas. O “Ide” desde o dia em que foi pronunciado por Jesus não é um comissionamento estático na sua maneira de ser interpretado e praticado. Por todos esses anos de expansão do Cristianismo a tarefa dada por Jesus tem sofrido muitas transformações. Quem dá um excelente panorama dessas mudanças de paradigma ao longo da história é David Bosch em seu livro “Missão Transformadora”. Ali podemos notar o quanto a ideia de Missão e a prática da mesma é algo condicionado pela consciência de mundo da época.

Nesse sentido a Missão já foi um movimento marginalizado e contracultural (pré Constantino;) já foi um movimento automatizado pelas vias políticas (pós Constantino); já foi missão coercitiva segundo o modus operandi imperialista e colonialista (Religião Oficial); também já foi vista como um esforço conjunto com o desenvolvimento da educação e da legislação política; já teve suas nuanças moralizantes, racionalizantes e proféticas, inclusive. A tudo isso se agrega ainda (e fundamentalmente) a visão do Cristo que profere o “Ide”, que também não é uma figura estática e sofre transformações no decorrer da história. Pois, ora é o Cristo perseguido e marginalizado, ora é o Cristo imperador e conquistador (exemplos de polarizações, para dar uma ideia do nível de dilatação a que se chega nossas compreensões acerca de Cristo e seu Evangelho).

A Missão de Deus tem uma história e nos enganamos se pensarmos que não somos herdeiros dela, e, mais ainda, assumimos uma postura alienada quando não considerarmos também os efeitos desta época em que vivemos na nossa compreensão e prática dela. Nós, evangélicos protestantes da América Latina, inseridos num determinado contexto sócio-econômico, temos chegado ao termo: “Missão Integral”. E, ao que parece, até agora, como articulação missiológica faz bastante sentido para a nossa realidade.

Mas o que nos importa afinal chegar até o "termo" e não ultrapassá-lo? Estruturar nosso pensamento e não pô-lo à prova? 

O principal objetivo de nossa Missão, antes de enquadrá-la em categorias mentais acessíveis, é vivenciá-la na prática, de maneira simples como Jesus nos ensinou (e cuja força de ação é o seu amor).
Conceituar Missão ou mesmo torná-la um artigo confessional verbalizado ainda não é experimentá-la integralmente como Missão, se não houver a sua experiência prática. Por isso nossa reflexão aqui não tem a ver apenas com a compreensão das coisas, mas também como agimos em relação a elas. Nosso esforço deverá ser antes de tudo tornar este termo carne, que é o solo da experiência concreta e real com Deus. 
Humanizar o termo! Eis aí nossa tarefa!


Continua...

(A relexão vale à pena, vamos tratá-la com doses homeopáticas)


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Texto: Thiago de Mattos

sábado, 5 de abril de 2014

A rua dos buracos (poema 3)

III

Se essa rua fosse minha
eu mandava nivelar
não por baixo, mas por cima
para o meu sonho passar



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poesia: Thiago de Mattos